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Artigo - Barjas Negri - Os 45 anos da E. E. Manassés Ephrain Pereira, no Monte Líbano

Artigo - Barjas Negri - Os 45 anos da E. E. Manassés Ephrain Pereira, no Monte Líbano

Os 45 anos da E. E. Manassés Ephrain Pereira, no Monte Líbano

 

Barjas Negri

 

Na segunda metade dos anos 1970, eu era professor do Departamento de Economia da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e exercia o cargo de secretário municipal de Educação. Um dos nossos maiores desafios era enfrentar a falta de escolas na periferia de Piracicaba. Os bairros se expandiam, a população aumentava e a construção de unidades escolares não acompanhava o crescimento da demanda. Naquele período, a Prefeitura não possuía escolas próprias para atender ao ensino primário, cuja oferta estava sob a responsabilidade do governo estadual.

Certa vez, participamos de uma reunião no Centro Comunitário do Jardim São Paulo, mais conhecido como bairro Matão, presidido pelo pequeno comerciante Luiz Delatorre. O salão estava lotado, e a reivindicação era unânime: “Queremos escolas para os nossos filhos”. As famílias precisavam de vagas para crianças da 1ª à 4ª série do antigo ensino primário, etapa hoje correspondente aos anos iniciais do ensino fundamental.

Após muito debate, surgiu a proposta de alugar o prédio do Centro Social Bom Samaritano, no Monte Líbano, para atender estudantes dos bairros Jardim Paraíso, Monte Líbano, Jardim Tókio, Parque dos Eucaliptos e Jardim das Flores. Levamos a ideia adiante em articulação com o diretor regional de Ensino, professor Mário Chorilli. A iniciativa permitiu ao governo estadual instalar três salas de aula, que passaram a atender 210 alunos. Eram crianças que estavam fora da escola ou precisavam se deslocar para unidades de outros bairros, como a Escola Estadual Antônio de Mello Cotrim, na Avenida São Paulo.

A solução emergencial, implantada em 1981, precisava ser acompanhada de uma estrutura definitiva. Paralelamente, buscamos um terreno para que o governo estadual pudesse construir uma nova escola. As tratativas avançaram e foram equacionadas em 1983 e 1984, durante a gestão do prefeito Adilson Maluf, criando as condições necessárias para a construção.

Naquela ocasião, eu trabalhava na Secretaria Estadual de Economia e Planejamento como coordenador de Políticas Sociais. Em conjunto com a Secretaria Estadual de Educação, atuamos na viabilização de recursos e projetos para a construção de mais de cem escolas no Estado. Entre elas estava a unidade do Monte Líbano, inaugurada em 1987.

 

A escola recebeu o nome de Escola Estadual Manassés Ephraim Pereira e consolidou uma conquista importante para as famílias da região. Hoje, atende 368 alunos em tempo integral, com um trabalho educacional sustentado pela dedicação de seus profissionais e pelos bons resultados nos indicadores do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Em 2026, completam-se 45 anos do início dessa trajetória, contados a partir das primeiras salas instaladas no espaço improvisado, em 1981. Mais do que a passagem do tempo, a data celebra uma conquista construída com mobilização comunitária, diálogo e articulação entre o município e o Estado. A reivindicação das famílias transformou-se em uma escola que, ao longo de gerações, tem ajudado a escrever a história do Monte Líbano e dos bairros vizinhos.

 

Barjas Negri foi ministro da Saúde e prefeito de Piracicaba por três gestões

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