Artigo - Barjas Negri - A evolução das escolas municipais de educação infantil em Santa Teresinha
A evolução das escolas municipais de educação infantil em Santa Teresinha
Barjas Negri
Estive em uma reunião com lideranças de diversos bairros de Santa Teresinha, na qual discutimos o atendimento das escolas municipais de educação infantil às crianças de zero a cinco anos. Durante o encontro, surgiu a proposta de pesquisar a evolução dessa rede, desde a construção das primeiras creches do distrito, no final dos anos 1970, até os dias atuais.
O levantamento revelou uma estrutura de 17 escolas municipais, que atendem mais de 3,6 mil crianças. É um número expressivo, resultado de décadas de investimentos públicos. Para avaliar o alcance desse atendimento em relação às metas nacionais de educação, que previam vagas em creches para pelo menos 50% das crianças de zero a três anos e a universalização da pré-escola para aquelas de quatro a cinco anos, é necessário considerar também a população do distrito em cada faixa etária.
As duas primeiras creches de Santa Teresinha foram construídas no final dos anos 1970 e entraram em funcionamento em 1980 e 1981, durante a gestão do prefeito João Herrmann Neto, quando tive a oportunidade de ocupar o cargo de secretário municipal de Educação.
Naquele período, demos continuidade à implantação de dois Centros Polivalentes de Educação e Cultura, os CEPECs, que ofereciam educação infantil e eram mais conhecidos pela população como creches. A iniciativa representava uma inovação para a época, quando essas instituições eram, em geral, filantrópicas e vinculadas à assistência social. A proposta valorizava o caráter educativo do atendimento à primeira infância.
Essas unidades são hoje a EMEI João do Nascimento, na área central de Santa Teresinha, e a EMEI Dezolina Pires Baltieri, na Vila Sônia. Juntas, atendem atualmente 473 crianças e representam o início de uma rede que se ampliou ao longo das décadas.
A expansão teve continuidade em diferentes administrações. O prefeito Adilson Benedito Maluf implantou a EMEI Judith Moretti Accorsi, em 1988, no Parque Piracicaba. Na gestão de José Machado, foi implantada a EMEI Nair Libardi, em 1991, no Boa Esperança. O prefeito Antônio Carlos de Mendes Thame implantou a EMEI Maria Canale Angelelli, em 1994, no IAA, e a EMEI Antônio Boldrin, em 1996, no CAIC do Parque Orlanda.
Durante a administração de Gabriel Ferrato, foram implantadas a EMEI Maria Apparecida Lordello Beltrame, em 2015, no Parque São Matheus; a EMEI Francisco Guiomar Aliberti Longo, em 2016, ao lado do Conjunto Habitacional Paradiso, na área central de Santa Teresinha; e a EMEI Haldumont Nobre Ferraz, também em 2016, no Vem Viver. Nesse período, a EMEI João do Nascimento também foi reconstruída.
O processo de expansão associado às administrações de Barjas Negri compreendeu sete novas EMEIs: Beatriz Aparecida Defante, em 2009, no Manacás; Renato Passeri, em 2010, no São Luiz/Vila Sônia; Heloísa Helena Azanha Naime, também em 2010, no Monte Rey; Francisco Célio Betiol, em 2013, no Monte Rey/Parque Piracicaba; Oracy da Silva, em 2014, no Jardim Taiguara; Almir de Souza Maia, em 2018, no Parque dos Ipês; e Roberta Eleutério Amaral, em 2020, no Vida Nova.
Somou-se a essas unidades a EMEIEF Adolfo Basile, implantada em 2020, no Vale do Sol/Vida Nova. Ao todo, essas oito escolas acrescentaram 1.603 vagas para crianças de zero a cinco anos, ampliando o acesso à educação infantil em diferentes bairros do distrito.
Com 17 escolas municipais e mais de 3,6 mil crianças atendidas, Santa Teresinha reúne uma importante estrutura de educação infantil. Segundo o levantamento realizado, entretanto, a expansão da rede foi interrompida após 2020. Esse cenário reforça a necessidade de avaliar a demanda atual e retomar o planejamento de novas vagas, acompanhando o crescimento dos bairros e as necessidades das famílias.
Com uma população estimada em quase 70 mil habitantes, Santa Teresinha supera o número de moradores de municípios da região, como Charqueada, São Pedro, Rio das Pedras e Capivari. Sua dimensão permite compreendê-la como uma cidade dentro de Piracicaba, que exige planejamento e investimentos públicos proporcionais à sua importância.
A ampliação da rede de educação infantil também contou com a importante participação das lideranças comunitárias de Santa Teresinha, que levaram ao poder público as necessidades dos bairros e reivindicaram investimentos para atender às crianças e às famílias. Nesse processo, merece reconhecimento a atuação dos vereadores José Aparecido Longatto, Carlos Alberto Cavalcante, José Lopes e do saudoso Luís Antonio Leite, conhecido como Madalena, que faleceu em 2021. O diálogo entre as comunidades, seus representantes e a administração municipal foi fundamental para fortalecer as demandas por novas escolas e pela melhoria do atendimento no distrito.
A trajetória da educação infantil no distrito mostra o valor da continuidade das políticas públicas. Ao longo de aproximadamente quatro décadas, a construção de escolas ampliou as oportunidades para as crianças e ofereceu apoio fundamental às famílias, especialmente às mães trabalhadoras. Preservar essa história e dar continuidade aos investimentos é um compromisso com a qualidade de vida e com o futuro de Santa Teresinha.
Barjas Negri foi ministro da Saúde e prefeito de Piracicaba por três gestões

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