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Coluna: Adriana Passari fazendo histórias - 11-09-2026

Coluna: Adriana Passari fazendo histórias - 11-09-2026

Por Adriana Passari - @adrianapassari

Olhos famintos

 

Ela passou e sentiu quase que imediatamente aquela fisgada em forma de arrepio na nuca. Não olhou diretamente para trás mas sabia que estava sendo observada. Não, não era exatamente observada.

Estava sendo fortemente vigiada. Mais que vigiada, sentia-se como uma presa correndo o risco de ser devorada. Não gostava nada daquela sensação. Como se olhos famintos a cercassem com um propósito de atacar a qualquer instante. Seus instintos muito afiados acenderam o alerta.

A caçada tinha começado e ela era a caça. Seus passos seriam decisivos para sobreviver. Seguiu caminhando firmemente mas agora com todos os músculos do corpo tensionados.

Em estado de vigília total. Passou adiante do seu destino, não podia parar.

Qualquer erro poderia ser fatal. Discretamente acelerou os passos, mais um pouco e estaria numa encruzilhada e seria decisiva sua ação para uma fuga estratégica. Virou a esquina e imediatamente procurou os possíveis esconderijos. Escolheu a melhor alternativa e seguiu.

Escondeu-se e esperou. A respiração estava controlada, não podia fraquejar. A fisgada na nuca persistia e ela tinha que estar preparada. Desta vez não seria uma presa fácil. Nunca mais seria. A paciência era sua aliada e a intuição sua melhor defesa. Precisava manter-se camuflada.

Sua melhor chance. Ficou ali, à espreita, por um tempo demasiadamente longo. O arrepio arrefeceu. Aos poucos o medo foi dissipando. Cautelosamente ela pegou o caminho de casa, mas por ruas alternativas. Escapou do perigo desta vez. Será que havia sido real? Em seu íntimo uma voz gritava estridentemente: ATÉ QUANDO?

Ouça a história na voz de Adriana Passari:

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