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Rádio Piracicaba

Coluna: Comunicação & IA, com Sabrina Scarpare

Coluna: Comunicação & IA, com Sabrina Scarpare

Estreia dia 10 de setembro, o Conta pra Sá, podcast de contação de histórias da vida real.

Uma coisa é estudar storytelling. Outra é contar a história de alguém.

 

A ansiedade aqui tá alta e talvez por isso eu esteja olhando para tudo o que aconteceu até aqui de um jeito um pouco diferente.

Quando comecei a estudar storytelling, há exatos 11 anos, eu estava interessada em entender por que algumas histórias prendem a nossa atenção, emocionam, despertam curiosidade e permanecem na memória.

Eu sou jornalista e no MBA que fiz em 2015, conheci o storytelling e me encantei pela possibilidade de usar a narrativa para me comunicar melhor.

Depois de dez anos trabalhando em jornal impresso, saí da redação, abri meu negócio e comecei a ajudar profissionais, especialistas e marcas a encontrarem suas histórias e transformá-las em narrativas capazes de comunicar melhor o valor do que fazem.

Nesse caminho, continuei estudando muito. Criei cursos, mentorias, novas ferramentas e, alguns anos depois, a inteligência artificial entrou de vez na minha rotina de trabalho. Aprendi a usar a tecnologia como ferramenta de criação, organização e estratégia.

Mas havia uma coisa que continuava me interessando profundamente: a história.

E foi justamente uma história que me trouxe até aqui. Em 2022, durante o tédio da pandemia da Covid-19, comecei a publicar no Facebook algumas histórias reais e bem-humoradas sobre situações que vivi durante meus dez anos como colunista social.

A primeira delas teve uma repercussão que eu não esperava. Vieram comentários, risadas, indignações, curiosidade para saber quem eram os personagens...

E eu pensei: tem alguma coisa aí.

Aquela história, que existia apenas na minha memória e virou um texto, tinha conseguido provocar alguma coisa em outras pessoas. Depois vieram outras histórias, alguns vídeos e, finalmente, uma ideia: "isso pode virar um podcast!"

Só que a ideia ficou guardada por alguns anos.

Até que, em junho de 2026, apareceu a oportunidade de uma parceria com a Rádio Educadora Piracicaba FM 88,1 e aquilo que estava na gaveta começou a ganhar forma.

E aí aconteceu uma coisa curiosa.

Eu descobri que uma coisa é estudar storytelling. Outra, completamente diferente, é contar a história de alguém. Sabe por quê? Quando a história é sua, você conhece os detalhes, as intenções, as emoções, as pessoas envolvidas. Quando a história é de outra pessoa, a responsabilidade é outra.

Você precisa ouvir, perguntar, apurar, entender o que realmente aconteceu, separar o que é fato do que é interpretação, encontrar o fio da narrativa, escolher o que entra e o que fica de fora, criar ritmo sem inventar, construir uma história interessante sem desrespeitar quem a viveu.

E depois ainda tem a narração.

É preciso contar de um jeito que pareça uma conversa, que tenha naturalidade, mas que também conduza quem está ouvindo. Tem trilha, sonoplastia, edição, tem silêncio. Tem um monte de decisões que o ouvinte talvez nem perceba. E talvez seja justamente esse o ponto: uma boa história parece simples quando chega pronta, mas existe muito trabalho antes dela.

Conta pra Sá está me fazendo experimentar tudo isso na prática.

Ainda estou no começo, eu sei. Tem muita água pra rolar debaixo dessa ponte. Sei que tenho muito a aprender sobre contar as histórias dos outros. Mas também percebi uma coisa importante nesses primeiros episódios que já gravamos e editamos: todos esses anos estudando narrativa me deram uma bagagem que eu nem sempre enxergava.

Hoje consigo olhar para uma história e procurar aquilo que aprendi a reconhecer ao longo dos anos. O conflito, a mudança, a surpresa, a pergunta que fica no ar. O detalhe que parece pequeno, mas muda tudo. O momento em que a pessoa percebe alguma coisa. O que faz alguém continuar ouvindo.

Quando você ouvir o primeiro episódio vai entender exatamente o que estou dizendo aqui. E quanto mais eu trabalho nisso, mais uma convicção antiga fica forte: histórias conectam.

Elas fazem a gente parar pra pensar, ficar curioso, rir, se emocionar. Lembrar de alguma coisa que aconteceu com a gente. Pensar em alguém. Querer saber o que aconteceu depois.

E isso continua acontecendo mesmo depois de toda a tecnologia que surgiu para transformar a maneira como produzimos e consumimos conteúdo.

Aliás, talvez aconteça justamente por causa dela.

Estamos vivendo um momento em que a inteligência artificial consegue nos ajudar a produzir textos, imagens, vídeos e tantas outras coisas em uma velocidade impressionante. Hoje temos muitas ferramentas e possibilidades.

Mas continuamos sendo humanos tentando encontrar alguma coisa que nos faça SENTIR de verdade.

E é exatamente por isso que eu estou tão interessada, neste momento da minha carreira, em voltar para aquilo que existe antes de qualquer ferramenta: a experiência humana. O Conta pra Sá nasceu para construir um acervo de histórias reais, pois uma história bem contada faz alguém sentir que aquela experiência também poderia ser sua.

O primeiro episódio da primeira temporada vai ao ar amanhã, quinta-feira, dia 10 de setembro, com roteirização, apresentação e narração minha, Sabrina Scarpare, e coprodução da Rádio Educadora Piracicaba FM 88,1 Mhz.

Cada episódio traz uma nova história e terá, em média, 15 minutos, e o primeiro episódio vai ao ar primeiro no rádio, às 15h30, e na sequência estará disponível nas nossas plataformas digitais, como YouTube e Spotify!

Não é um podcast com convidados. É um podcast narrativo, portanto, eu conto as histórias de outras pessoas... e também as minhas!

E, embora o formato principal seja o áudio, como nas antigas radionovelas, vou também mostrar em vídeo os bastidores, como os episódios são gravados, como são editados e tudo o que acontece antes de uma história chegar até você.

Vai ser divertido, eu prometo!

Também vamos estrear em breve o quadro “Rapidinhas com Sabrina”, com histórias mais curtinhas narradas por mim.

Enfim... tenho certeza de que você vai gostar, vai rir, chorar, sentir raiva, amor, ódio, paixão... vai ser uma mistura de emoções, prepare-se :)

Ah! E tem um detalhe importante: os nomes dos personagens são trocados para preservar a identidade de quem viveu as histórias, sem expor ninguém. A ideia não é contar com quem aconteceu (nem adianta me perguntar), mas como aconteceu!

E talvez essa seja a parte mais bonita desse projeto. Uma experiência que pertencia a uma única pessoa pode ganhar outros ouvidos, provocar novas emoções e, quem sabe, fazer alguém pensar: "Eu também já vivi alguma coisa parecida."

Se você tem uma história boa que merece ser contada por mim, mande um e-mail para a equipe do podcast: contaprasapodcast@gmail.com

Vamos ler, avaliar, apurar e, se a história fizer sentido para o projeto, entraremos em contato.

Você está preparado(a) para ouvir boas histórias?

Siga nossa página no Instagram: @contaprasa

😉

 

Eu sou Sabrina Scarpare, jornalista, mentora de storytelling e IA para marcas, roteirista e contadora de histórias da vida real no podcast Conta pra Sá. Este é o boletim oficial da Associação dos Contadores de Histórias, onde conversamos sobre histórias, narrativa, comunicação, pessoas e tecnologia.

Saiba mais aqui.

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