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Rádio Piracicaba

Coluna: Entre Linhas com Ivana Negri

Coluna: Entre Linhas com Ivana Negri

Lendas e Personagens Folclóricos de Piracicaba

Ivana Maria França de Negri

 

            Lendas sempre despertaram a curiosidade nas crianças, pois são fantasiosas e aguçam o imaginário infantil.

            Piracicaba é rica em lendas, mas faz algum tempo, percebi que não havia na literatura um enfoque direcionado para elas, com linguajar simples e acessível para os mais novos. No mês de agosto, dedicado ao Folclore, notava que as professoras trabalhavam as lendas brasileiras como Saci, Caipora, Boitatá, Iara, Mula-sem-cabeça, Cuca, entre outras. É ótimo apresentar às crianças personagens do folclore brasileiro, mas não podem ignorar as lendas locais. Cada país, cada estado, cada cidade, tem suas próprias lendas e personagens folclóricos. Resolvi resgatar essas histórias e escrever livrinhos curtos e com ilustrações, que contassem as lendas de uma forma lúdica e fantasiosa. Para os pequenos, quanto mais fantasia melhor!

            O primeiro livro foi sobre o lendário Capitão Nhô Lica, personagem conhecido das gerações anteriores. Se perguntadas, as crianças não sabiam quem ele foi e porque ficou conhecido.

            Animada com o sucesso do livrinho, parti para o segundo, já com apoio do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba. Recontei a lenda da Inhala Seca.  As crianças desconheciam essa lenda também, mas adoraram, pois a história é um pouco macabra e crianças gostam de sentir um “medinho”.

            O terceiro foi sobre a Noiva da Colina, uma história de amor, que alguns conheciam, mas confundiam o véu da noiva com a pequena cachoeira que jorra perto da ponte do Engenho. No livro esclareço que o verdadeiro véu da noiva são as brumas do salto, e o nome veio da inspiração de um poeta que escreveu a poesia. E dei nome aos personagens: Ari e Iraci, nomes indígenas, que estão dentro do nome P Iraci caba, já que os primeiros habitantes desta terra eram os  Paiaguás.

 Em seguida, veio a Lenda da Cobrona na Catedral. Aquela, que segundo contam, tem a cabeça sob a catedral e a cauda lá na rua do Porto. E quando está agitada, balança tanto o rabo que surgem tremores de terra. Como quem conta um conto aumenta um ponto, no livrinho eu deixo a indagação: seria a queda do edifício Comurba causada por conta da cobrona inquieta? Mistério...

            No primeiro livro, minha neta Ana Clara tinha 9 anos e fez as ilustrações. Ela leu a história e fez os desenhos com sua criatividade infantil. E continuou a ilustrar, aperfeiçoando suas técnicas. Depois de crescida, suas irmãzinhas gêmeas continuaram a ser ilustradoras, Ana Laura e Ana Liz. Gosto de usar a criatividade das crianças. Nada de IA. Crianças têm aquele dom mágico de quem ainda está na fase da imaginação fértil. Depois veio a Lenda do Túmulo do Padre Galvão e o personagem folclórico Elias dos Bonecos.

Tenho projetos de recontar mais lendas e tornar conhecidos mais personagens folclóricos. O próximo será a Madalena, pois quem não se lembra dela, como baiana no carnaval e vereadora mais votada? Penso que essas histórias não podem ser esquecidas, o importante é que alguém reconte de tempos em tempos para não se perderem, pois fazem parte da história de Piracicaba, das nossas raízes.

            E fico feliz quando vejo escolas utilizando meus livros para trabalhar as Lendas com as crianças, inclusive o Colégio Objetivo, adotou-os na grade escolar anual.

            Gosto de escrever quadrinhas ao final de cada lenda para que as crianças se interessem por poesia também.

E assim, sendo contadas e recontadas, as lendas não caem no esquecimento e não morrem jamais!

                                       Ivana Maria França de Negri é escritora

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