Coluna: Adriana Passari fazendo histórias - 21-08-2026
Por Adriana Passari - @adrianapassari
O segredo do tapete voador
Diz a lenda que um tapete foi visto voando num certo bairro da periferia da cidade algum tempo atrás. Relatos de testemunhas davam detalhes muitas vezes desencontrados, mas outras tantas vezes coincidentes.
O mistério tomava conta da vizinhança por um bom tempo, depois o falatório esfriava. Até que mais tarde voltava às rodas de conversa na praça ou na saída da missa de domingo. Era a história mais famosa do distrito nos eventos sociais, principalmente entre os mais crédulos.
Havia também aqueles que desdenhavam da cantilena, considerando fastidiosa história para boi dormir, como diziam lá por aquelas bandas. Mas a verdade que eu vi, com estes olhos que um dia a terra há de comer, é esta que eu conto pra vocês agora. Havia no alto do morro dos uivos sombrios um nevoento casarão onde morava uma família muito estranha.
Contava a família com sete membros pouco vistos pelas redondezas já que não frequentavam as atividades locais. Entre eles havia uma jovem, aparentemente adolescente. Segundo alguns poucos mensageiros que chegavam até as cercanias do casarão, ela usava longas tranças douradas e vivia escondida atrás de pesados livros de capas endurecidas e enegrecidas.
Alguns diziam que era uma poderosa bruxa e que a família a mantinha reclusa para sua própria proteção. Em uma noite de lua cheia, um tempo atrás, uma antiga serva do casarão assustou-se e fugiu para nunca mais voltar ao ver a menina flutuar deitada no tapete de origem persa que decorava seu quarto.

Acontece que a menina esparramava-se sobre o tapete, apoiava os cotovelos numa almofada bordada com fios dourados e de lá só saía depois de horas percorrendo as páginas de livros que escolhia na vasta biblioteca da mansão. Nem ela mesma percebia que o tapete naqueles momentos, levantava voos altos e longínquos, atravessando as janelas e percorrendo largos campos entre as nuvens e estrelas.
Quando fechava o livro, deixando um marcador esperando a próxima viagem, nem percebia a suave aterrisagem do tapete de volta ao local de origem. Eu não sei vocês, mas eu acredito totalmente nesta história. Na próxima lua cheia experimente olhar para o céu e me avise se avistar o tapete.
Ouça a história na voz de Adriana Passari:

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