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Artigo - Pecege - Cenários e Estratégias para Bovinos, Aves e Suínos

Artigo - Pecege - Cenários e Estratégias para Bovinos, Aves e Suínos

Cenários e Estratégias para Bovinos, Aves e Suínos

Por Thiago Bernardino de Carvalho, professor do MBA em Agronegócio USP Esalq.

Ao observar as cadeias de bovinos, aves e suínos, é evidente o papel estratégico que esses setores exercem não apenas para o agronegócio, mas para a economia e a segurança alimentar do Brasil e do mundo. O país consolidou-se como um dos principais produtores e exportadores globais de proteína animal, sustentado por avanços em produtividade, sanidade e eficiência.

Esse protagonismo, no entanto, ocorre em um ambiente de mudanças constantes. Questões econômicas, políticas, climáticas e sociais moldam o comportamento dos mercados e impõem novos desafios às cadeias produtivas. Nesse contexto, é fundamental entender que preço é definido pelo mercado, mas custo e produtividade estão sob controle direto do produtor. O lucro, portanto, é consequência de gestão eficiente.

Produzir mais com menos tornou-se um imperativo. A intensificação produtiva, associada ao uso de genética superior, nutrição adequada, manejo eficiente e controle sanitário rigoroso, deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para a permanência na atividade. A produtividade é o principal vetor de competitividade e de proteção de margens em cenários de alta volatilidade.

Outro movimento irreversível é a consolidação das cadeias. Indústrias de insumos, processadores e varejistas já passaram por esse processo. A produção primária vive agora essa transição. Escala, profissionalização e gestão passaram a definir quem permanece competitivo. Modelos extensivos, de baixa eficiência e alto custo, tendem a perder espaço.

Aspectos sanitários e de saúde assumem papel central. O Brasil avançou de forma consistente nesse campo, o que fortalece sua imagem como fornecedor confiável de alimentos seguros. Esse ativo estratégico amplia mercados e reforça a posição do país no comércio internacional de proteínas.

O consumidor também mudou. Busca preço acessível, mas exige qualidade, padronização, rastreabilidade e informação. A comunicação passou a integrar a estratégia produtiva: mostrar como se produz tornou-se tão importante quanto produzir bem.

O Brasil reúne vantagens comparativas únicas, como disponibilidade de terra, água e conhecimento técnico. Transformar essas vantagens em liderança duradoura depende de estratégia, investimento em capital humano, tecnologia e gestão.

A mensagem final é clara, o produtor precisa se enxergar como empresário rural. Aqueles que não constroem sua própria estratégia acabam integrando a estratégia de outros. O futuro das cadeias de proteína animal será definido por quem alinhar eficiência produtiva, gestão profissional e comunicação em um mercado cada vez mais exigente.

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