Prioridades
O discurso é conhecido: o esporte é importante. Na prática, ele quase sempre fica no fim da fila.
Nos municípios, o esporte costuma disputar espaço orçamentário com áreas vistas como “mais urgentes” e o erro está justamente aí. O esporte não é concorrente da saúde, da educação ou da segurança — ele é parte da solução. Quando bem estruturado, o esporte reduz evasão escolar, melhora indicadores de saúde, fortalece vínculos comunitários e afasta jovens da violência. Ainda assim, segue tratado como atividade complementar, recreacional ou ações pontuais.
Outro problema é a falta de leis que garantam o recurso para planejamento de longo prazo. Muitos municípios investem em planejamentos a curto prazo, eventos isolados, enquanto deixam de estruturar programas permanentes de base e principalmente de desenvolvimento. O resultado aparece rápido na foto, mas não se sustenta no tempo. O esporte precisa deixar de ser calendário e passar a ser política pública estruturada. Enquanto não compreenderem que investir em esporte é investir em prevenção, os municípios continuarão pagando caro lá na frente por economizar agora.
Mas tudo isso é explicável. Quanto dos nossos representantes no poder público que você conhece que dizem que o esporte é essencial pratica esporte? É o velho ditado: faça o que eu falo mas não faça o que eu faço.
Frederico Mitooka
Gestor Esportivo | CREF 027474-G/SP
Graduado em Educação Física e Comunicação Social com pós-graduação em Ciências Políticas e especialização em Gestão Pública.