Mente & Foco – 48ª edição
Título: Nem toda renascença é visível, algumas acontecem em silêncio.
A semana da Páscoa nos convida a olhar para um dos movimentos mais profundos da experiência humana: a travessia.
Antes da ressurreição, houve dor. Antes do recomeço, houve silêncio.
Antes da luz, houve um tempo de escuridão que precisou ser atravessado.
E talvez esse seja o ponto que, muitas vezes, evitamos encarar.
Queremos o renascimento…mas resistimos ao processo que o antecede. Na vida emocional, não é diferente.
Existe um tempo em que tudo parece suspenso.
Em que antigas certezas já não se sustentam…e o novo ainda não encontrou forma.
É um lugar desconfortável, mas profundamente necessário.
Na clínica, esse momento aparece com frequência: quando a pessoa já não é mais quem era…mas ainda não consegue reconhecer quem está se tornando.
E isso pode gerar angústia, dúvida, sensação de perda de si, mas há algo importante aqui: nem todo vazio é ausência.
Às vezes, é espaço sendo criado.
A Páscoa, para além do símbolo religioso, fala sobre isso: sobre confiar no que ainda não é visível.
Sobre sustentar o processo, mesmo quando ele não oferece respostas imediatas.
Porque renascer não é voltar ao que se era.
É permitir que algo novo emerja, com mais consciência, mais verdade, mais presença.
E isso exige atravessar. Atravessar o desconforto. Atravessar o silêncio. Atravessar a própria transformação.
Talvez hoje seja um bom dia para se perguntar: o que, dentro de mim, já não faz mais sentido sustentar…e o que ainda precisa de tempo para nascer?
Respeitar esse intervalo é um ato de maturidade emocional.
Porque nem toda transformação é barulhenta.
Algumas das mais importantes… acontecem em silêncio.
E, no tempo certo, renascem.
Giovana Mendes
Psicóloga | CRP 06/213988
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Transtornos Alimentares
Rua Dr. Alvim, 825 – São Dimas
Base – Espaço de bem-estar e saúde
