Desenvolvimento esportivo - um abismo no esporte brasileiro
Todo professor de esporte conhece essa história: O atleta talentoso aparece cedo, se destaca nas competições, chama atenção… e desaparece antes de chegar ao alto rendimento. Não é falta de vocação, é falta de sustentação , foco e disciplina.
A desistência precoce no esporte brasileiro raramente acontece por um único motivo. Ela é resultado de um conjunto de fatores que se acumulam silenciosamente: custos altos, pouca estrutura, excesso de cobrança, falta de apoio psicológico, conflitos familiares, motivação intrínseca e, principalmente, ausência de políticas públicas contínuas.
Enquanto o discurso fala em “descobrir talentos”, a prática ignora o básico: manter esses talentos no sistema. O jovem atleta treina, estuda, compete, viaja e se expõe emocionalmente a derrotas constantes. Sem acompanhamento multidisciplinar e sem perspectiva clara de futuro, a conta não fecha. Em algum momento, a escolha deixa de ser esportiva e passa a ser de sobrevivência.
O esporte exige dedicação integral, mas oferece retorno incerto. E isso não pode ser responsabilidade exclusiva da família. Países que têm sucesso no esporte entendem que formação esportiva é política pública de longo prazo, não projeto de governo nem ação pontual. O atleta precisa enxergar um caminho possível — não apenas um sonho distante. Quando talentos desistem, o problema não é individual, é sistêmico. É preciso leis que garantam o recurso.
Enquanto não houver um ambiente que sustente o atleta no desenvolvimento, continuaremos comemorando exceções e lamentando desperdícios. E o pódio continuará sendo um destino para poucos — não por mérito, mas por resistência.
Frederico Mitooka
Gestor Esportivo | CREF 027474-G/SP
Graduado em Educação Física e Comunicação Social com pós-graduação em Ciências Políticas e especialização em Gestão Pública.