Patrulha Maria da Penha: 9 anos contribuindo
no combate à violência contra as mulheres
Barjas Negri
Março de 2026 marca não apenas o mês em que o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher, mas também um momento de reflexão sobre os avanços e os desafios permanentes na proteção das mulheres em nossa cidade. Ao longo dos últimos anos, a pauta da igualdade de direitos, da proteção contra a violência, da valorização no mercado de trabalho e da ampliação da participação social feminina deixou de ser apenas discurso e passou a ocupar, com mais força, o centro das políticas públicas.
Em Piracicaba, uma das iniciativas mais emblemáticas nessa caminhada é a Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal, implantada em abril de 2017 em nossa gestão. Em 2026, o programa já soma nove anos de atuação ininterrupta no enfrentamento à violência doméstica, consolidando-se como uma política pública permanente, estruturada e reconhecida pela população.
A criação da patrulha representou um divisor de águas na forma como o poder público municipal passou a lidar com as medidas protetivas determinadas pela Justiça. Com equipes treinadas e atuação 24 horas, a Patrulha realiza visitas às residências de mulheres em situação de violência para fiscalizar o cumprimento das medidas judiciais, prevenindo novas agressões e inibindo a reincidência. Toda denúncia registrada pelo telefone 153 da Guarda Civil Municipal é apurada com rigor, e os casos envolvendo mulheres sob medida protetiva recebem acompanhamento sistemático.
Os números acumulados ao longo desses anos revelam duas faces da mesma realidade. De um lado, demonstram a eficiência da ação pública: milhares de medidas protetivas fiscalizadas, dezenas de prisões em flagrante realizadas em casos de descumprimento ou novas ameaças, além de incontáveis intervenções que impediram que a violência evoluísse para situações ainda mais graves. De outro, expõem uma realidade que ainda nos constrange: a persistência da violência contra mulheres de todas as classes sociais, idades e regiões da cidade.
Se antes havia medo e silêncio, hoje há mais confiança e denúncia. A experiência acumulada pela equipe ao longo dos anos fortaleceu o vínculo com as vítimas e consolidou a Guarda Civil Municipal como referência no acolhimento e na resposta rápida às ocorrências. A Patrulha não atua apenas de forma repressiva; sua presença tem caráter preventivo e pedagógico, sinalizando que o poder público está atento e que a impunidade não será tolerada.
A continuidade e o aperfeiçoamento dessa política pública são fundamentais. A ampliação do número de equipes, o investimento constante em capacitação e a integração com os demais serviços da rede de proteção são passos necessários para avançarmos ainda mais. Combater a violência contra a mulher é também enfrentar desigualdades históricas e culturais profundamente enraizadas.
A atuação da Patrulha Maria da Penha se soma a uma rede estruturada de atendimento em Piracicaba, que inclui o Centro de Referência de Atendimento à Mulher, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, o Centro Especializado em Saúde da Mulher e parcerias com entidades como o Centro de Integração da Mulher. Essa integração garante acolhimento psicológico, orientação jurídica, suporte social e acompanhamento em saúde, oferecendo às vítimas condições reais de reconstrução de suas vidas.
Ao iniciarmos março de 2026, é fundamental reconhecer o empenho dos guardas civis que compõem a Patrulha Maria da Penha, profissionais que atuam com sensibilidade, firmeza e responsabilidade na defesa das mulheres. Mais do que números, o trabalho da Patrulha representa vidas preservadas, ciclos de violência interrompidos e famílias que tiveram a oportunidade de recomeçar.
Ainda há muito a ser feito. A violência contra a mulher não será superada apenas com ações policiais, mas com educação, conscientização e transformação cultural. No entanto, políticas públicas eficazes, como a Patrulha Maria da Penha, mostram que quando há decisão política, planejamento e compromisso institucional, é possível avançar de forma concreta.
Que março de 2026 não seja apenas um mês de homenagens, mas também de reafirmação do compromisso coletivo com a dignidade, a segurança e o respeito às mulheres de Piracicaba.
Barjas Negri foi ministro da Saúde e prefeito de Piracicaba por três gestões