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Livro “As Donas da Quadra” resgata a história de duas mulheres que marcaram o basquete brasileiro

Livro “As Donas da Quadra” resgata a história de duas mulheres que marcaram o basquete brasileiro

Piracicaba ocupa um capítulo muito especial na história do basquete feminino brasileiro. Muito antes das grandes conquistas internacionais e dos holofotes da Seleção Brasileira, duas mulheres ajudaram a escrever uma trajetória de dedicação, talento e pioneirismo nas quadras piracicabanas: Maria Helena Cardoso e Maria Helena Campos, a querida Heleninha.

Essa história ganha um importante registro no livro “As Donas da Quadra – A história de Maria Helena e Heleninha”, da historiadora e pesquisadora Cláudia Guedes, publicado pela Editora Mulheres à Cesta.

A publicação resgata a trajetória de duas personagens que tiveram uma ligação profunda com Piracicaba, tanto como atletas quanto como treinadoras, deixando uma contribuição importante para o desenvolvimento do basquete feminino na cidade e no Brasil.

XV de Piracicaba: onde duas grandes histórias se encontraram

O encontro de Maria Helena Cardoso e Heleninha com Piracicaba aconteceu em 1958, quando as duas passaram a defender o tradicional XV de Novembro de Piracicaba.

Durante 15 anos, construíram uma parceria dentro das quadras, vestindo a camisa alvinegra e participando de uma época importante do basquete feminino do município.

Maria Helena Cardoso, nascida em Descalvado, começou a jogar aos 14 anos e já havia passado pelo São Carlos Clube e pelo Pinheiros antes de chegar a Piracicaba.

Heleninha, nascida em 1939, começou sua trajetória no São Vicente Praia Clube e também defendeu o Votorantim antes de chegar ao XV.

As duas encontraram em Piracicaba um ambiente para desenvolver ainda mais suas carreiras. A parceria foi além do XV: em 1970, defenderam o Bela Vista Nauti Clube e, entre 1971 e 1972, atuaram pelo Clube Atlético Piracicabano.

Foi uma história construída em diferentes equipes da cidade, com a contribuição de duas atletas que também representavam o Brasil em competições internacionais.

De jogadoras a treinadoras: uma parceria que continuou em Piracicaba

Por volta de 1972, Maria Helena e Heleninha encerraram suas trajetórias como jogadoras, mas a ligação entre as duas estava longe de terminar.

A experiência acumulada dentro das quadras transformou-se em conhecimento, liderança e formação de novas atletas.

Maria Helena assumiu a função de treinadora, enquanto Heleninha passou a trabalhar como assistente técnica, tornando-se sua parceira também fora das quatro linhas.

Em Piracicaba, essa parceria teve continuidade no trabalho de desenvolvimento do basquete feminino, incluindo a Associação Desportiva Unimep, criada em 1979, que se tornou uma referência na modalidade.

A contribuição das duas foi importante para a formação de atletas e para a construção de uma cultura esportiva que ajudou a manter Piracicaba em evidência no cenário do basquete feminino.

Não eram apenas duas profissionais que conheciam profundamente o jogo. Eram mulheres que haviam vivido o esporte como atletas, conheciam suas dificuldades e agora tinham a missão de preparar novas gerações.

Piracicaba também ajudou a construir a história da Seleção Brasileira

O trabalho desenvolvido ao longo dos anos abriu caminho para desafios ainda maiores.

Em 1986, Maria Helena Cardoso assumiu o comando da Seleção Brasileira feminina, tendo Heleninha como assistente técnica.

A dupla participou de uma fase histórica do basquete nacional, com conquistas dos Campeonatos Sul-Americanos de 1986, 1989 e 1991, a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987, e o inesquecível ouro nos Jogos Pan-Americanos de Havana, em 1991.

Em 1992, conduziu o Brasil à sua primeira participação olímpica no basquete feminino, nos Jogos de Barcelona.

Maria Helena e Heleninha também tiveram participação no desenvolvimento de atletas que posteriormente alcançariam o topo do basquete mundial, como Hortência e Magic Paula.

A trajetória das duas ainda passou por grandes equipes do basquete brasileiro, como Ponte Preta, BCN/Osasco e Vasco da Gama, além de uma experiência internacional na Espanha.

Duas mulheres que merecem ser lembradas por Piracicaba

Ao recuperar essa história, o livro de Cláudia Guedes oferece uma oportunidade especial para Piracicaba reconhecer duas mulheres que fizeram parte da construção de sua memória esportiva.

Maria Helena Cardoso e Heleninha não foram apenas atletas que passaram pelo XV de Piracicaba. Defenderam outras equipes da cidade, trabalharam na formação de jogadoras e ajudaram a fortalecer o basquete feminino local.

A história das duas mostra que grandes conquistas não começam necessariamente nos grandes palcos. Muitas vezes, são construídas ao longo de anos de trabalho, dedicação e compromisso com o esporte.

Para quem acompanha o esporte piracicabano, conhecer essa trajetória é também valorizar uma geração que ajudou a colocar o nome da cidade na história do basquete feminino brasileiro.

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