Flávio Bolsonaro ficará sem mandato e perderá foro privilegiado a partir de 2027 após derrota na eleição presidencial
Por Vitor Prates - Rádio Piracicaba
REUTERS/Adriano Machado
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A derrota nas urnas não representa apenas o fim de um projeto presidencial para Flávio Bolsonaro (PL). O resultado da eleição de 2026 também marca uma mudança importante na trajetória política do senador, que ficará sem mandato eletivo pela primeira vez em 24 anos e perderá o foro privilegiado vinculado ao cargo a partir de fevereiro de 2027.
Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado neste domingo (25), Flávio permanecerá no Senado Federal até 31 de janeiro de 2027, quando termina seu atual mandato. Como decidiu disputar a Presidência da República, ele não concorreu à renovação de sua cadeira no Congresso Nacional.
O resultado eleitoral mostrou uma disputa acirrada. Lula conquistou 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 48,21%. A diferença foi superior a 4,4 milhões de votos.
Uma trajetória de 24 anos na política
A vida pública de Flávio Bolsonaro começou em 2003, quando assumiu seu primeiro mandato como deputado estadual pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), após ser eleito em 2002, aos 21 anos.
Ele permaneceu na Assembleia por quatro mandatos consecutivos, sendo reeleito em 2006, 2010 e 2014.
Em 2016, tentou chegar à Prefeitura do Rio de Janeiro, mas terminou a disputa em quarto lugar. Dois anos depois, em 2018, conquistou uma cadeira no Senado Federal, com mais de 4 milhões de votos, iniciando seu mandato em fevereiro de 2019.
Agora, a derrota presidencial interrompe uma sequência de cinco mandatos consecutivos no Legislativo: quatro como deputado estadual e um como senador.
O que muda com o fim do mandato?
Um dos pontos que mais chamam a atenção nesse novo cenário é a perda do foro por prerrogativa de função, popularmente conhecido como foro privilegiado.
Enquanto ocupa uma cadeira no Senado, Flávio Bolsonaro conta com a prerrogativa de ter determinadas investigações e ações judiciais analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conforme as regras constitucionais.
Com o encerramento do mandato, a situação poderá mudar. Eventuais novos procedimentos, dependendo da natureza dos fatos e das regras de competência, poderão tramitar na primeira instância da Justiça.
É importante destacar que a saída do Senado não significa que todos os processos serão automaticamente transferidos. O próprio STF estabeleceu que pode manter a competência para julgar crimes cometidos durante o exercício do mandato e relacionados às funções desempenhadas.
Investigações entram no radar
Flávio Bolsonaro também enfrenta investigações que ganharam destaque no cenário político nacional.
Entre elas está a apuração envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas à origem e à movimentação de recursos que teriam sido destinados ao projeto. Flávio nega irregularidades.
Outra investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro em negócios relacionados ao advogado Willer Tomaz. O caso também está sob análise das autoridades.
A perda do mandato, portanto, acrescenta um novo capítulo à situação política e jurídica do senador. O andamento de cada investigação dependerá das decisões das autoridades responsáveis e das regras legais aplicáveis.
Qual será o futuro político de Flávio Bolsonaro?
A pergunta que fica é: qual será o próximo passo de Flávio Bolsonaro?
Mesmo sem mandato, ele deverá continuar sendo uma das figuras importantes da direita brasileira. Durante a campanha presidencial, consolidou-se como um dos principais representantes políticos do grupo ligado ao pai, Jair Bolsonaro.
Entretanto, a derrota para Lula e o encerramento de sua trajetória parlamentar abrem um período de incertezas. Sem ocupar um cargo eletivo, Flávio terá de encontrar novos caminhos para manter sua influência no debate político nacional.

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