Simespi e ApexBrasil articulam abertura de novos mercados para a indústria de Piracicaba
Foto Crédito: Vitor Prates - Rádio Piracicaba
A busca por novos mercados internacionais, sem abandonar as relações comerciais com os Estados Unidos, foi o principal tema do Conexões Produtivas Mercosul–União Europeia, realizado nesta sexta-feira (23), na sede do Simespi (sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras). Promovido pela ApexBrasil, o encontro é resultado da mobilização da entidade para minimizar os impactos do tarifaço norte-americano sobre a indústria regional.
A busca por novos mercados internacionais, sem abandonar as relações comerciais com os Estados Unidos, foi o principal tema do Conexões Produtivas Mercosul–União Europeia, realizado nesta sexta-feira (23), na sede do Simespi (sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras). Promovido pela ApexBrasil, o encontro é resultado da mobilização da entidade para minimizar os impactos do tarifaço norte-americano sobre a indústria regional.
O presidente do Simespi, Paulo Estevam Camargo, destacou a importância da parceria entre o setor produtivo e o governo federal para ampliar oportunidades de negócios. O evento é um desdobramento da reunião realizada em agosto com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, quando uma comitiva liderada pelo sindicato apresentou propostas de apoio às indústrias afetadas pelas tarifas. “Diante dos desafios impostos pelo tarifaço norte-americano, o Simespi não ficou parado. Buscamos o diálogo com o governo federal e instituições estratégicas para construir alternativas à nossa indústria. Este encontro é resultado dessa mobilização e representa um passo importante para abrir novos mercados, fortalecer a competitividade e preservar empregos e investimentos na região”, destacou .
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, ressaltou a força exportadora de Piracicaba, que registra US$ 2,8 bilhões em vendas externas, dos quais aproximadamente US$ 2 bilhões correspondem a máquinas e equipamentos. Mais da metade das exportações desse segmento tem os Estados Unidos como destino.
Segundo Müller, embora as exportações brasileiras tenham alcançado US$ 285 bilhões neste ano, US$ 27 bilhões acima do mesmo período de 2025, as vendas aos Estados Unidos recuaram aproximadamente US$ 2 bilhões. Alguns produtos fabricados na região enfrentam tarifas de 37,5%, comprometendo sua competitividade. "Os americanos podem deixar de comprar das empresas daqui por conta disso, e isso reduz a produção, o que reduz o emprego. Então, nós estamos muito preocupados com isso", afirmou. Apesar das dificuldades, Müller destacou que as exportações de Piracicaba registraram, até o momento, queda inferior a 1%.
Apoio às empresas
Durante o encontro, Müller apresentou medidas para apoiar as indústrias na conquista de novos mercados. Entre elas estão o ressarcimento de até R$ 40 mil para adequação e certificação de produtos destinados à exportação, participação subsidiada em feiras internacionais, aproximação com compradores estrangeiros e consultorias gratuitas. "A ApexBrasil pode ressarcir em até R$ 40 mil o custo que a empresa tem de modificação do seu produto, de certificação do seu produto para encontrar um novo mercado. Isso é um apoio direto e concreto", explicou.
A União Europeia aparece como um dos destinos prioritários, diante das oportunidades para fornecedores brasileiros. Müller reforçou, porém, que a diversificação não significa abandonar o mercado norte-americano. "Nossa expectativa é que essas tarifas para os Estados Unidos desapareçam, que a negociação vá bem. Mas, enquanto isso, diversificar, exportar para outros países. É esse o trabalho que a gente está fazendo aqui, empresa a empresa", afirmou.
Acordos comerciais
A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, destacou os esforços do governo federal para ampliar os acordos comerciais e facilitar o acesso dos produtos brasileiros a outros países.
Segundo ela, os acordos do Mercosul com a União Europeia, Singapura e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) já estão produzindo resultados. Desde a entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia, em maio, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 30%, informou. "Há muitas oportunidades. Nós precisamos transformar essas oportunidades em negócios", afirmou Tatiana. Para isso, segundo ela, é fundamental orientar os empresários sobre as regras e os benefícios dos acordos comerciais, permitindo que identifiquem novas possibilidades de exportação.
A secretária também ressaltou a importância de Piracicaba, quinto município exportador do Estado de São Paulo, especialmente pela produção de bens de alto valor agregado. Segundo ela, a importação de componentes e insumos faz parte da dinâmica de uma indústria integrada ao comércio internacional.
Piracicaba é a segunda cidade do interior do Brasil a receber o Conexões Produtivas Mercosul–União Europeia, depois de Itajaí (SC). A realização do encontro reforça o protagonismo do Simespi na articulação de iniciativas voltadas à competitividade industrial, à preservação de empregos e à ampliação das oportunidades de negócios para as empresas da região.

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