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Dor crônica: quando a dor deixa de ser um sintoma e passa a fazer parte da rotina

Dor crônica: quando a dor deixa de ser um sintoma e passa a fazer parte da rotina

Por Lícia Mangiavacchi

Dor que persiste por meses, interfere no sono, limita movimentos e compromete o trabalho e a vida social. Para milhões de pessoas, a dor crônica deixa de ser apenas um sintoma e passa a fazer parte da rotina. O Dia Mundial de Combate à Dor Crônica chama a atenção para um problema de saúde que exige investigação da causa e uma abordagem individualizada para melhorar a qualidade de vida.

 

A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) considera crônica a dor que persiste ou recorre por mais de três meses. Dados publicados pela Organização Mundial da Saúde indicam que condições associadas à dor crônica, como lombalgia, osteoartrite e outras doenças musculoesqueléticas, estão entre as principais causas de incapacidade no mundo. A dor também pode afetar o sono, o humor, a capacidade de trabalhar e a realização de atividades cotidianas.

 

A médica Beatriz Jacob, espcialista em dor e estudiosa da camnabis para fins medicinais, explica que o tratamento precisa considerar o paciente de forma individual. “A dor crônica não é igual para todo mundo. Precisamos entender a origem da dor, há quanto tempo ela existe, quais tratamentos já foram realizados e como ela interfere na vida do paciente. A partir daí, podemos pensar em uma estratégia terapêutica individualizada”, afirma.

 

Entre as alternativas estudadas para determinados quadros está o uso medicinal de derivados da cannabis, especialmente medicamentos à base de canabinoides. Evidências científicas apontam resultados diferentes conforme a condição tratada e o tipo de produto utilizado, e os benefícios precisam ser avaliados em relação aos possíveis efeitos adversos. No Brasil, produtos derivados de cannabis para fins medicinais são regulamentados pela Anvisa e seu uso deve ocorrer com acompanhamento de profissional habilitado.

 

“Os canabinoides podem ser uma ferramenta dentro de um tratamento, mas não são uma solução universal para qualquer tipo de dor. A indicação precisa considerar o diagnóstico, os medicamentos que o paciente já utiliza e os possíveis riscos e benefícios”, ressalta Beatriz Jacob.

 

A automedicação, especialmente com medicamentos potencialmente sedativos ou produtos de cannabis adquiridos sem orientação adequada, também merece atenção. O tratamento da dor crônica pode envolver medicamentos convencionais, fisioterapia, atividade física, mudanças de hábitos e acompanhamento de diferentes profissionais, dependendo da causa.

 

 

Dor persistente não deve ser normalizada. Quando dura mais de três meses, piora progressivamente ou interfere no sono, no trabalho e nas atividades diárias, a recomendação é procurar avaliação médica para identificar a origem do problema e definir um tratamento seguro e individualizado.

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