Artigo - Vitor Prates - Piracicaba precisa de representação: o voto também é uma escolha pelo futuro da cidade
Por Vitor Prates - Rádio Piracicaba
Em ano eleitoral, uma pergunta precisa fazer parte da conversa de Piracicaba: qual é a importância de a cidade ter representantes nas esferas estadual e federal?
A discussão ganhou força com a campanha “Eleições 2026: Escolha Quem é de Piracicaba”, iniciativa da Acipi, Coplacana, Pecege e Simespi, que busca ampliar a conscientização sobre a participação política e a importância da representatividade.
A Diocese de Piracicaba também decidiu ampliar seu apoio à iniciativa. A proposta, segundo Dom Devair Araújo da Fonseca, é orientar e conscientizar os eleitores, sem interferir na escolha individual.
E essa talvez seja a maneira mais adequada de tratar o assunto: não dizer ao eleitor em quem votar, mas estimular o eleitor a pensar sobre a importância do próprio voto.
Quem defende Piracicaba?
Ter um deputado estadual e um deputado federal ligado à cidade não significa apenas ter um nome ocupando uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.
Significa ter interlocução.
Significa ter alguém que possa acompanhar de perto as demandas do município, dialogar com os governos estadual e federal e participar das discussões que podem resultar em investimentos e políticas públicas.
Saúde, educação, segurança, infraestrutura, transporte, saneamento, habitação, desenvolvimento econômico, agricultura, indústria, tecnologia, cultura e esporte são áreas que dependem de recursos e decisões que muitas vezes ultrapassam os limites do município.
É nesse ponto que a representação política ganha importância.
O voto não termina na urna
A campanha apoiada pela Diocese trabalha com três palavras que merecem atenção: Conscientizar, Avaliar e Cobrar.
Conscientizar significa entender a importância da participação política.
Avaliar significa conhecer os candidatos, suas propostas, suas trajetórias e sua relação com as demandas da cidade.
Cobrar significa acompanhar o mandato depois da eleição.
Esse último ponto é fundamental.
O eleitor não deveria lembrar de seu deputado apenas a cada quatro anos.
A relação entre representante e população precisa continuar durante todo o mandato.
Quanto vale a representação?
Segundo levantamento apresentado pelas entidades que promovem a campanha, Piracicaba teria deixado de captar um potencial estimado em R$ 320 milhões em emendas entre 2019 e 2025, período em que não contou com um deputado federal próprio.
Para o próximo mandato, o mesmo estudo projeta R$ 214,48 milhões em emendas individuais de um deputado federal e um deputado estadual, tomando como referência os valores de 2026.
Esses números são apresentados pelas entidades como uma estimativa do potencial de recursos associado à representação parlamentar e ajudam a colocar uma questão prática na discussão:
quanto uma cidade pode ganhar ou deixar de ganhar quando possui maior ou menor capacidade de articulação política?
Não se trata, evidentemente, de afirmar que todo recurso público depende exclusivamente de um deputado. Prefeituras, governos, ministérios, secretarias, vereadores, entidades e a própria sociedade organizada também têm papéis importantes.
Mas a representação parlamentar pode ser uma das ferramentas utilizadas para encaminhar demandas e buscar recursos.
Piracicaba não está sozinha
Outro aspecto importante é que Piracicaba precisa ser pensada dentro de sua região.
As demandas de saúde, transporte, infraestrutura, segurança, desenvolvimento econômico e mobilidade frequentemente ultrapassam os limites municipais.
Por isso, a discussão sobre representação não precisa ficar restrita a Piracicaba.
É possível pensar em uma agenda regional, envolvendo os municípios que compartilham problemas, oportunidades e estruturas econômicas.
Um parlamentar pode atuar em favor de Piracicaba e, ao mesmo tempo, defender pautas que beneficiem toda a região.
Não é sobre partido. É sobre representatividade.
Esse é um ponto que precisa ficar claro.
A discussão sobre candidatos locais não deve ser confundida com uma defesa automática de determinado partido, ideologia ou candidatura.
A própria Diocese destacou que sua atuação busca tratar de política sem interferir na escolha do eleitor.
Isso é importante porque, em uma democracia, diferentes opiniões precisam conviver.
O eleitor tem liberdade para escolher.
Mas, antes de escolher, precisa conhecer.
E, depois de escolher, precisa acompanhar.
O eleitor piracicabano tem uma responsabilidade
Em 2026, o eleitor terá diante de si uma série de escolhas.
Entre elas, estará a definição dos representantes que ocuparão cadeiras na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.
A pergunta não deveria ser apenas:
“Em quem eu vou votar?”
Talvez outras perguntas sejam igualmente importantes:
Quem conhece Piracicaba?
Quem acompanha as necessidades da cidade?
Quais são as propostas apresentadas?
Qual é a trajetória de cada candidato?
Como pretende atuar em favor do município e da região?
E, depois de eleito, como pretende prestar contas à população?
Essas perguntas não indicam uma resposta eleitoral.
Indicam apenas a necessidade de votar com informação.
Piracicaba precisa participar da decisão
Uma cidade do tamanho e da importância de Piracicaba precisa participar ativamente das decisões que afetam seu futuro.
Isso passa pela Prefeitura.
Passa pela Câmara Municipal.
Passa pelas entidades empresariais.
Passa pelas universidades.
Passa pelas organizações sociais.
Passa pela imprensa.
E passa, principalmente, pelo eleitor.
A democracia não acontece apenas no dia da eleição.
Ela continua quando o cidadão acompanha, questiona, fiscaliza e cobra seus representantes.
Por isso, mais do que escolher nomes, 2026 pode ser uma oportunidade para Piracicaba discutir qual representação política deseja construir para os próximos anos.
Não cabe à imprensa dizer ao cidadão em quem votar.
Não cabe às entidades determinar a escolha individual.
Cabe informar.
Cabe promover o debate.
Cabe apresentar os fatos.
E cabe ao eleitor decidir.
Piracicaba precisa de representantes. E o primeiro passo para construir essa representação é transformar o voto em uma escolha consciente, informada e responsável.

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