Estreia na Europa: artista de Piracicaba, Daniel Garnet se apresenta na Itália
O artista de Piracicaba (SP) Daniel Garnet apresenta neste sábado, 19/9, o show Afrotrapcália, na Festa Dei Popoli, em Altamura, na Itália. O espetáculo na Europa será realizado um mês após a estreia do rapper no exterior, em Baltimore (EUA), que inaugurou uma narrativa que circulará por diferentes países, em uma articulação da Xilema Musica.
A apresentação italiana dá continuidade ao caminho aberto em agosto, quando Daniel Garnet levou o espetáculo Afrotrapcália ao palco do Current Space, durante o festival Baltimore2Brasil. O concerto marcou a estreia internacional do projeto.
“Afrotrapcália é, ao mesmo tempo, o nome do show e da nave que conduz essa viagem, que apresenta uma alegoria afrofuturista em que cada apresentação representa um novo pouso. O público, que chamamos de Afronautas, embarca, enquanto uma transmissão de rádio atravessa o espetáculo, conectando músicas, cidades e territórios da diáspora”, afirma Daniel Garnet.
Em Baltimore, a voz da artista norte-americana Tirzah Sheppard guiou parte dessa viagem por meio de intervenções gravadas especialmente para o show. Na Itália, a dramaturgia ganha um novo capítulo. Os textos serão adaptados e gravados em italiano, de forma a manter a estrutura da viagem, mas transformando a Festa dei Popoli na nova frequência de rádio captada pela nave Afrotrapcália.
Para a apresentação em Altamura, Garnet prepara um set entre 30 e 40 minutos de duração aproximadamente, concentrado na dimensão mais dançante do repertório — uma continuação da sequência apresentada em Baltimore, que teve duração semelhante e foi construída para manter o público em movimento do começo ao fim, fazendo a barreira linguística ficar pequena na pista de dança.
“Se em Baltimore foi o primeiro pouso internacional, em Altamura será o segundo. A cidade muda, a língua muda, a frequência muda, mas a nave continua a mesma”, diz Garnet.
Intercâmbio com a cena local
O show em Altamura também possibilitará um intercâmbio com a cena artística local, por meio de encontros, improvisações e colaborações com músicos e artistas italianos. A proposta é que cada pouso da nave não seja apenas a chegada de um espetáculo pronto a um novo território, mas também uma oportunidade de escuta, troca e criação a partir das pessoas encontradas pelo caminho.
Essa lógica acompanha a trajetória de Daniel Garnet como artista, pesquisador e artista-educador: a criação como espaço de troca, improvisação e produção coletiva. Afrotrapcália, além de chegar aos territórios para apresentar um repertório, pousa para estabelecer contato de terceiro grau.
Diferentes sonoridades
Afrotrapcália parte do rap para estabelecer encontros com afrobeat, afrotrap e diferentes sonoridades afro-brasileiras e latino-americanas. Pagodão baiano, guitarrada, cumbia e referências da Tropicália atravessam um espetáculo pensado para o movimento, a dança e a experiência coletiva.
Mais do que uma combinação de gêneros, o projeto investiga musicalmente as pontes entre Brasil, África, Caribe e outros territórios atravessados pela diáspora africana.
Trajetória do artista
Daniel Garnet é um artista afro-brasileiro, doutorando em pesquisas sobre hip-hop e educação pela Universidade de São Paulo e pesquisador convidado na University of Maryland, Baltimore County. Ele articula afrobeats, trap e tradições musicais afro-brasileiras para construir uma estética vibrante e afrofuturista.
Em 2015, lançou seu álbum de estreia Avise o Mundo (em parceria com MC Peqnoh), selecionado entre os 30 melhores álbuns de rap pelo site Noticiário Periférico. Em 2025, lançou seu álbum solo Afrotrapcália.
Seu nome aparece em pesquisas na Wikipédia sobre o afrotrap brasileiro como um dos precursores do gênero, refletindo sua relevância na cena. Transita entre palcos, escolas e espaços de pesquisa, desenvolve trabalhos que conectam performance artística, educação crítica e imaginários afro-diaspóricos.
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