Artigo - Barjas Negri - Economia brasileira resiste e gera empregos nos últimos anos
Economia brasileira resiste e gera empregos nos últimos anos
Barjas Negri
Não custa relembrar o ano de 2020, marcado pela pandemia de Covid-19, que afetou significativamente a economia brasileira, provocando uma retração de 3,3% no PIB (Produto Interno Bruto) e a eliminação de 199,4 mil empregos formais. Um ano, sem dúvida, para ser esquecido.
A partir de então, a recuperação da economia brasileira foi surpreendente, com crescimento consistente na agricultura, no comércio, na indústria e no setor de serviços, além da expansão das exportações. Em 2021, o país registrou um expressivo crescimento de 4,8% no PIB, acompanhado da criação de 2,782 milhões de empregos formais de acordo com o Caged.
E não parou por aí. Ainda que em ritmo um pouco mais moderado, a economia manteve a trajetória de crescimento nos anos seguintes. Entre 2021 e 2025, o PIB brasileiro acumulou alta de 17,4%. No mesmo período, foram gerados 9,211 milhões de empregos formais, com saldos anuais que variaram de mais de 1,2 milhão de vagas, em 2025, a aproximadamente 2,7 milhões, em 2021.
Esse desempenho veio acompanhado, nos últimos anos, do aumento real do salário mínimo e da renda média dos trabalhadores, contribuindo para manter a economia aquecida. Trata-se de um ciclo virtuoso: o crescimento impulsiona o emprego; o emprego eleva a renda; e a renda, por sua vez, fortalece o consumo, beneficiando empresas, trabalhadores e o próprio governo, por meio da ampliação da arrecadação.
Dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e referentes a dezembro de 2025, reforçam esse cenário. O Brasil alcançou 103 milhões de pessoas ocupadas, sendo 53 milhões no setor privado e 26,1 milhões trabalhando por conta própria. A taxa de desocupação caiu para 5,6%, a menor desde o início da série histórica, em 2012, enquanto o rendimento médio atingiu R$ 3.613,00, também um recorde.
A geração de empregos formais permaneceu positiva em 2026. Segundo o Novo Caged, o Brasil criou 921.645 postos de trabalho entre janeiro e junho. Somente em junho foram abertas 145.161 vagas, elevando o estoque nacional para mais de 48 milhões de vínculos formais.
O setor de serviços liderou a geração de empregos no primeiro semestre, com 571.926 vagas, seguido pela construção civil, com 168.962; pela indústria, com 143.442; e pela agropecuária, com 40.853. O comércio, entretanto, apresentou um pequeno saldo negativo no acumulado do período.
Apesar desse cenário positivo, a manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados, em torno de 15% ao ano, pelo Banco Central, tem gerado críticas por impactar negativamente empresários e consumidores. Ainda assim, a inflação permaneceu dentro da meta. Em termos técnicos, a meta era de 3%, com teto de 4,5%. Em 2025, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou em 4,26%, enquanto o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) ficou em 3,9%. Ou seja, ambos permaneceram dentro do intervalo estabelecido, mesmo com os juros elevados.
Diante desse quadro, ganha força o argumento de que chegou o momento de iniciar um ciclo de redução da taxa de juros, oferecendo maior fôlego ao setor produtivo, ao governo e, sobretudo, aos trabalhadores, que são, em última instância, os mais impactados pelo custo elevado do crédito e pelos preços dos bens e serviços.
Vale destacar que, mesmo diante de adversidades externas, como o aumento das tarifas comerciais imposto pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, a economia brasileira demonstrou resiliência.
Este artigo buscou apresentar dados concretos para evidenciar que, apesar de análises pessimistas ou imprecisas, a economia brasileira tem demonstrado capacidade de resistência. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado em 2025, a perspectiva de redução da taxa de juros nos próximos meses pode estimular novos investimentos, favorecer a geração de empregos e sustentar a expansão econômica. Se esse cenário se confirmar, os benefícios serão amplos e compartilhados por toda a sociedade.
Barjas Negri foi ministro da Saúde e prefeito de Piracicaba por três gestões

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