Artigo - Pecege - A escola prepara para a vida. Mas os alunos sabem disso?
Por Daniel Yokoyama Sonoda, CEO do Pecege
Me preocupo muito com a educação de base, pois é ela que fornece os fundamentos para que os demais anos do sistema educacional sejam bem-sucedidos.
Tenho defendido que a escola é o treino para o trabalho, para a vida em sociedade e para as relações pessoais. O problema é que essa mensagem raramente chega clara ao aluno. É como o método do Sr. Miyagi no filme Karatê Kid: ao pedir que seu discípulo lavasse carros, pintasse cercas e polisse o piso, o mestre escondia meticulosamente em cada movimento repetido as técnicas que só faziam sentido depois. A escola funciona da mesma forma.
Entre as habilidades que ela desenvolve estão pontualidade, memorização, raciocínio lógico, exposição pública, trabalho em grupo, criatividade, respeito às regras e às pessoas, e a capacidade de lidar com vitórias e derrotas. São rotinas que começam na pré-escola e se estendem até o início da vida adulta. Disciplina e mérito construídos ao longo de anos.
O problema é que a conexão entre esse processo e a vida real não está clara. E dessa falta de clareza nasceu uma falácia que se repete entre gerações: "A escola não serve para nada. Quando vou usar isso na minha vida?"
De um lado, temos professores tão sobrecarregados que a conclusão do ano letivo virou alívio, não vitória pedagógica. Do outro, alunos que fingem aprender enquanto o ensino perde força. Esse ciclo de desinteresse mútuo tem consequências mensuráveis. Segundo o PISA 2022, apenas 1% dos estudantes brasileiros atingiram o topo de desempenho em matemática, enquanto a média da OCDE é de 9%.
Esse desinteresse desemboca no mundo profissional, e é lá que a bomba explode: "Mas a escola não me ensinou nada." As instituições ficam com a conta, mas o problema é sistêmico.
Estamos num momento de choque entre o sistema educacional e o mercado de trabalho. E o mercado não está reduzindo suas exigências em termos de preço, qualidade ou prazo. A conta não está fechando: competimos com produtos e serviços do mundo todo e estamos ficando em desvantagem.
Ainda acredito que a educação com propósito é a melhor forma de combater a desigualdade de renda e construir uma sociedade próspera. Mas para isso, é preciso que a escola volte a fazer sentido para quem está dentro dela.

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