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Artigo - Vitor Prates - SAFs avançam pelo interior de São Paulo e colocam clubes tradicionais no radar de investidores

Levantamento mostra que 31 clubes paulistas já venderam ou negociam participações em suas SAFs; XV de Piracicaba aparece entre as equipes que integram esse novo cenário do futebol-empresa

Artigo - Vitor Prates - SAFs avançam pelo interior de São Paulo e colocam clubes tradicionais no radar de investidores

Por Vitor Prates - Rádio Piracicaba

 

O futebol do interior de São Paulo passa por uma transformação significativa nos bastidores. A criação e a negociação de Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) vêm atraindo investidores, grupos empresariais e modelos de gestão profissional para clubes tradicionais e também para projetos emergentes.

Um levantamento realizado pela Rádio Piracicaba mostra que 31 clubes do estado já possuem SAF vendida ou em processo de negociação, enquanto outras equipes já avançaram na transformação para o modelo empresarial, mas ainda não concluíram a venda de participação.

O movimento envolve clubes de diferentes tamanhos e realidades financeiras. Há projetos que preveem investimentos de centenas de milhões de reais, enquanto outros trabalham com valores mais modestos e metas relacionadas principalmente ao crescimento esportivo e à estruturação administrativa.

Interior ganha espaço no mercado das SAFs

O avanço do modelo demonstra que o interesse dos investidores não está mais concentrado apenas nos grandes clubes das capitais.

Entre os exemplos citados estão Novorizontino, São Bernardo, Ferroviária, Ituano, Monte Azul, Linense, Primavera e São José, além de equipes tradicionais que também passaram a discutir mudanças na estrutura administrativa e financeira.

Os formatos são diferentes de clube para clube. Em alguns casos, o investidor assume o controle da operação. Em outros, a associação mantém uma parcela da SAF e participa das decisões ou preserva determinados direitos.

O levantamento também aponta a presença do chamado modelo multiclubes, no qual um mesmo grupo empresarial administra ou possui participação em diferentes equipes. É uma estratégia que vem ganhando espaço no futebol mundial e começa a se consolidar também no futebol brasileiro.

Projetos milionários movimentam o futebol paulista

Alguns dos projetos em andamento chamam atenção pelos valores envolvidos.

Na Portuguesa, por exemplo, a proposta prevê a aquisição de 80% da SAF pela Tauá Partners, com expectativa de investimentos que chegam a R$ 1 bilhão. O projeto inclui ações relacionadas à reorganização financeira, estrutura do clube e estádio, além da tentativa de recolocar a equipe entre os principais clubes do país.

O Juventus-SP, que conquistou o acesso à elite do Campeonato Paulista para 2027, também entrou no mapa das SAFs. O projeto prevê investimentos de aproximadamente R$ 500 milhões ao longo de dez anos, envolvendo a modernização da Rua Javari e a busca pelo crescimento esportivo.

Outro caso de grande repercussão é o da Inter de Limeira, que negocia uma operação estimada em R$ 454 milhões em dez anos. O projeto conta ainda com nomes conhecidos do futebol, como Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos, ligados ao grupo que participa das negociações.

XV de Piracicaba também aparece no mapa

Entre os clubes relacionados no levantamento está o XV de Piracicaba, que vive justamente um momento decisivo em relação à transformação do futebol em SAF.

O projeto do clube piracicabano já passou pelo Conselho Deliberativo e aguarda os próximos passos para sua efetivação. A discussão acontece em meio ao processo de recuperação financeira do XV e à busca por uma estrutura que permita ao clube ampliar investimentos no futebol profissional.

A presença do XV no levantamento mostra que a discussão sobre SAF deixou de ser uma possibilidade distante para os clubes do interior e passou a fazer parte da realidade de equipes tradicionais da região.

Para o clube, o desafio será conciliar a entrada de capital privado com a preservação da identidade histórica do XV, além de estabelecer mecanismos de controle, transparência e participação da associação dentro do novo modelo.

O que muda com a SAF?

A SAF foi criada no Brasil como uma alternativa para transformar clubes de futebol em empresas, permitindo a entrada de investidores e a adoção de uma estrutura administrativa diferente da tradicional associação sem fins lucrativos.

Na prática, a mudança pode facilitar a captação de recursos, profissionalizar setores administrativos e permitir investimentos de maior porte no futebol, na estrutura física e nas categorias de base.

Por outro lado, a transformação também exige atenção dos torcedores e associados. O modelo precisa estabelecer claramente quem controla o futebol, quais são as obrigações do investidor, quais receitas serão destinadas ao clube e quais mecanismos existirão para proteger patrimônio, história e identidade.

Por isso, a discussão sobre SAF não se resume ao valor que um investidor promete colocar no clube. O modelo de governança, as garantias de investimento, as metas esportivas e financeiras e a relação entre associação e empresa são pontos fundamentais para determinar o futuro de cada projeto.

Uma nova realidade para o futebol do interior

O avanço das SAFs representa uma mudança importante na maneira como os clubes do interior paulista são administrados.

Durante décadas, muitas equipes dependeram quase exclusivamente de receitas de televisão, patrocínios, bilheteria, apoio de empresas locais e recursos obtidos temporada após temporada. A chegada de investidores abre a possibilidade de planejamento de longo prazo, mas também cria novos desafios.

O cenário apresentado pelo levantamento da Band mostra que o futebol paulista caminha para uma realidade cada vez mais empresarial. São 31 clubes com SAF vendida ou negociada, além de outros projetos que ainda estão em fase de estruturação.

Para clubes tradicionais como o XV de Piracicaba, a transformação pode representar uma oportunidade de recuperar competitividade e buscar novos patamares esportivos. Ao mesmo tempo, será fundamental garantir que o crescimento financeiro venha acompanhado da preservação da história e da identidade que aproximam essas equipes de suas comunidades.

No interior paulista, portanto, a SAF deixou de ser apenas uma tendência. Ela já faz parte do presente e pode definir o futuro de boa parte dos clubes do estado.

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