O Novo Jogo de Bilhões das Lendas Olímpicas
Por que a maior reforma tributária da história do país pode mudar para sempre o futuro de Isaquias Queiroz, Alison dos Santos e dos novos talentos do esporte brasileiro.
O esporte olímpico brasileiro vive sob um paradoxo histórico. De um lado, celebramos medalhas heroicas e o surgimento de fenômenos mundiais, como o jovem tenista João Fonseca, que nesta semana desafia os gigantes do circuito no Masters 1000 de Montreal. De outro, assistimos à eterna e silenciosa agonia de federações, clubes formadores e atletas de base que dependem de uma engenharia orçamentária frágil para sobreviver. Fora dos holofotes do futebol de elite, o esporte nacional sempre jogou na retranca financeira.
Mas as regras desse jogo estão prestes a mudar drasticamente longe das quadras e pistas. A transição tributária, desenhada para redesenhar a economia do país até 2033, acendeu um sinal de alerta nos bastidores do poder esportivo. A extinção gradual do ICMS e do ISS — as ferramentas mais tradicionais que estados e municípios utilizavam para perdoar impostos de empresas patrocinadoras — ameaçava sufocar os projetos comunitários e regionais. Sem o incentivo local, o esporte corria o risco de sofrer um apagão de investimentos estruturais.
Felizmente, a articulação política de confederações e comitês no Congresso Nacional parece ter evitado o pior. A blindagem da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE), transformada em política de Estado permanente, e o futuro aumento no teto de dedução do Imposto de Renda para empresas (que passará de 2% para até 4% em projetos sociais a partir de 2028) trazem um fôlego inédito para o topo da pirâmide. Além disso, a criação de uma alíquota especial unificada de 5% para entidades sem fins lucrativos impede que a burocracia destrua o caixa dos clubes formadores.
O grande desafio desta nova era não será a falta de dinheiro — já que o Ministério do Esporte acaba de liberar mais de R 1 milhão recentemente investigados no Nordeste.
Garantir que cada centavo economizado com a nova reforma tributária chegue à canoa de Isaquias Queiroz ou às sapatilhas de Alison dos Santos é o verdadeiro campeonato que o Brasil precisa vencer. Além do pódio e das medalhas, o que está em disputa é a sobrevivência e a dignidade do ecossistema esportivo nacional.
Frederico Mitooka
Gestor Esportivo / CREF 027474-G/SP
Profissional de Wducação Física e Comunicação Social com Pós-graduação em Ciências Políticas e Gestão Pública