Quer escrever melhor os seus textos? Então pratique! Esperar a inspiração chegar não é a melhor opção.
Numa conversa informal com uma amiga dia desses, ela me confessou a sua imensa dificuldade em escrever conteúdo para suas redes sociais. Esse obstáculo que ela tem em desenvolver a escrita é também o de muitas outras pessoas. “Sabrina, como você se organiza para escrever e publicar seus textos?”, ela me questionou. E ainda continuou antes de ouvir a minha resposta: “Eu sei que para divulgar o meu negócio eu preciso ser mais ativa nas postagens, mas não sei por onde começar.”
A nossa conversa foi longe.
“Rotina”, respondi. “Você precisa criar uma rotina para escrever e, aos poucos, ir desenvolvendo essa técnica.”
Ela ficou parada me ouvindo, como se eu estivesse falando grego. Achei engraçado e ri.
Continuei dizendo a ela que escrever um bom texto não é dom, mas sim técnica, ou seja, é preciso treino para que ela melhore cada vez mais.
Existe uma crença bastante difundida de que algumas pessoas nasceram com o "talento da escrita" e outras jamais conseguirão desenvolver essa habilidade. Mas escrever é muito mais parecido com aprender um instrumento musical do que imaginamos. No começo, tudo parece estranho: faltam palavras, as ideias se atropelam e o texto nunca parece bom o suficiente. Com o tempo, porém, o cérebro cria repertório, encontra padrões e ganha confiança. Quanto mais escrevemos, mais natural esse processo se torna.
Dei um exemplo usando a metáfora da academia para ser clara.
“Para ganhar músculos e emagrecer você vai para a academia fazer musculação, certo? É preciso educar o seu corpo, ter disciplina para que ele ganhe forma, perca gordura, ganhe massa. Mas é preciso também comer e dormir bem, entre outras coisas importantes para que o corpo entenda seus comandos e fique com mais músculos e perca peso. O mesmo acontece com a escrita. Não existe fórmula mágica, mas sim praticar, e praticar e praticar”, eu disse.
E tem mais: ninguém entra na academia esperando levantar grandes pesos logo no primeiro dia. Há desconforto, adaptação e pequenas evoluções quase imperceptíveis. Com a escrita acontece exatamente o mesmo. O texto que você escreve hoje talvez não seja brilhante, mas ele é responsável por preparar o terreno para o texto melhor que você escreverá amanhã.
Esperar a inspiração chegar para começar a escrever não é uma boa opção. E você há de concordar comigo que nem sempre estamos inspirados. Você não acorda num dia lindo e ensolarado e pensa: “Nossa, hoje acordei muito inspirada para escrever a obra-prima da minha vida.”
Não é bemmmmmm assim (risos).
Claro que a inspiração pode vir à tona num belo dia de sol ou de chuva, e isso é ótimo e pode sim acontecer, mas você tem que desenvolver outras abordagens durante o restante do tempo em que ela não aparece. E se você só esperar, esperar, esperar, não vai sair do lugar e aí a culpa vai ser todinha da desinspiração (a gente sempre acha um culpado para as nossas culpas).
Muitos escritores, jornalistas e criadores de conteúdo defendem justamente o contrário do que costumamos acreditar: a inspiração costuma encontrar quem já está trabalhando. Sentar para escrever, mesmo sem vontade, é muitas vezes o que abre caminho para as ideias surgirem. A página em branco deixa de ser uma ameaça e passa a ser um convite para experimentar, testar e descobrir.
Pois então saiba que o seu silêncio conta uma história. Quando você deixa de compartilhar suas ideias, experiências e aprendizados, alguém que poderia ser impactado pela sua mensagem deixa de ter acesso ao que só você pode oferecer. Escrever também é um ato de presença. É ocupar espaço com a sua voz.
Mas voltando ao papo com a minha amiga, eu passei a ela um exercício na tentativa de ajudá-la e vou compartilhar aqui com você, caso esse seja um dos seus problemas de bloqueio criativo (e que não está deixando você evoluir na sua comunicação):
Reflita sobre as seguintes questões:
- a) Como você resolve o problema da desinspiração?
- b) Onde consegue escrever mais facilmente?
- c) A que hora do dia?
Com base nessas respostas, crie a sua rotina/hábito de escrita e deixe as ideias fluírem.
Essas dicas podem até parecer bobas, mas foram elas que me ajudaram a entender o meu processo de escrita criativa, o local em que gosto de estar para escrever e o horário em que tenho um encontro marcado com minhas ideias, caneta, papel, xícara de chá e lá vamos nós!
Responda a você mesmo essas três perguntas acima e tire as suas conclusões. Só de fazer esse exercício, você já está escrevendo e pensando em como melhorar o seu hábito de escrita.
E talvez esse seja o ponto mais importante de todos: escrever melhor não significa esperar pelo texto perfeito. Significa aparecer, insistir, revisar, recomeçar e confiar que cada frase escrita é também uma forma de treino. Afinal, a escrita não floresce na espera. Ela amadurece na prática.
E, em tempos de inteligência artificial, talvez valha uma última reflexão aqui. A IA se tornou uma excelente copiloto. Ela organiza ideias, sugere caminhos, revisa textos, ajuda a vencer a temida página em branco e pode tornar o processo de escrita mais ágil e eficiente. Seria ingenuidade ignorar o potencial dessa tecnologia.
Mas há algo que ela não pode substituir: a sua experiência de vida, o seu repertório, a sua sensibilidade e a maneira única como você enxerga o mundo. A inteligência artificial pode apoiar a construção do texto, mas é a inteligência humana que dá significado a ele. São as nossas memórias, emoções, dúvidas, crenças e aprendizados que transformam palavras em conexão.
A sua voz continua sendo o elemento mais valioso de qualquer narrativa.
Até semana que vem ;)

Eu sou Sabrina Scarpare, jornalista, mentora de storytelling e IA para marcas, além de escritora desta newsletter Storytelling & IA para Marcas. Toda semana, envio na sua caixa de e-mails artigos e informações atuais sobre os temas comunicação, storytelling, IA e marcas.