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Coluna: Entre Linhas com Ivana Negri

Publicada em: 04/06/2026 09:28 -

Meio Ambiente e conscientização

Ivana Maria França de Negri

 

            Mais um cinco de junho que chega, dia do Meio Ambiente - nosso planeta, nossa casa, futuro de nossos filhos, netos, das próximas gerações.

            Lembrei de quando fiz uma compra numa loja, e após pagar, peguei a sacola retornável na bolsa para levar minha compra, como sempre faço. Mas a atendente falou que eu não poderia levar daquele jeito, tinha que colocar numa sacola plástica. Eu falei que não queria levar uma sacola plástica e estava no meu direito de recusar. Ela não deu bola para meu argumento, colocou minha compra na sacola e a lacrou. Fiquei pasma! Falei que gostaria de conversar com o gerente da loja, e ela, mesmo contrariada, o chamou. Expliquei que eu não queria levar sacolas plásticas para casa e fui obrigada pela moça do caixa. Ele disse que as normas são ditadas pela matriz, que toda compra tem que ser ensacada. E eu argumentei que não, se o cliente não quiser levar a sacola plástica, está no seu direito, podia até vestir a roupa e sair com ela, desde que estivesse com a nota fiscal em mãos. Mas a nota mesmo, a moça nem tinha me entregado. E dar a nota fiscal seria mais importante do que a sacola plástica, e, se o motivo fosse o de  lacrar a sacola, ela poderia ter feito isso na minha sem problemas.

            Chegando em casa e comentando o ocorrido, minha neta que tinha cinco anos na época, falou: “vovó, plástico mata tartarugas no mar! Até ela sabia dos danos do plástico para a natureza, mas o gerente da loja e o dono da empresa não sabiam...

             Em países de primeiro mundo as sacolinhas já foram abolidas. Cada um se vira para levar sua compra para casa, em sacolas ecológicas, de pano, carrinho, caixas de papelão. Se quiser sacola plástica, tem que pagar e não é barato. E esses países já não compram produtos de outros que não sejam oriundos de práticas ecologicamente corretas.

Sabemos que sem preservação ambiental, não há futuro. Dependemos do meio ambiente para sobreviver. E o meio ambiente depende da nossa proteção.

O mundo tornou-se um lugar onde tudo é de plástico ou de isopor. É de plástico o copo, o prato, o talher, o canudo, as embalagens, plástico dentro de plásticos, que cada vez mais tomam conta de tudo. O oceano vai ficando um depósito de lixo que não se degrada. Animais marinhos morrem aos milhares pela poluição dos mares. Ninguém se abala se não dói na sua carne e se não afeta o seu bolso. Não pensam no futuro que estão deixando de herança para seus descendentes.

Um dia o homem vai acordar e constatar que plástico não enche barriga. E verá que não pode se alimentar de plástico. Mas será tarde demais. Vai se afogar nos mares e rios de plástico que ele mesmo poluiu ao longo de séculos de ignorância e cegueira mental.

A natureza, gravemente enferma, pede clemência. Terá que vomitar de volta tudo o que depositam em suas águas, terras e ares. Gaia nos apresentará a conta de todo o mal que lhe causamos e a todas as formas de vida deste planeta. As palavras do grande Cacique Indígena de Seattle, escritas em 1856, ainda ecoam: “ A Terra não pertence ao homem, é  o homem que pertence à Terra”;

Se nada for feito para reverter essa ordem, a humanidade, infelizmente, caminhará  para sua autodestruição.

E que Deus tenha piedade de todos nós, poeirinhas cósmicas arrogantes, no dia do acerto final de contas.

           

Ivana Maria França de Negri é escritora

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