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Coletivo Beira-Rio é formalizado em assembleia aberta

Publicada em: 27/04/2026 14:42 -

A formalização do Coletivo Beira-Rio reuniu moradores, profissionais e representantes da sociedade civil na manhã do último dia 25, em Piracicaba. A assembleia geral de constituição marcou a criação oficial da entidade, que surge como desdobramento do Movimento Salve a Boyes e pretende fortalecer a atuação organizada da população em pautas relacionadas ao patrimônio histórico, cultural e ambiental da cidade.

Criado em agosto de 2023, o Movimento Salve a Boyes teve início a partir de preocupações com intervenções na área da antiga Fábrica da Boyes e na orla do Rio Piracicaba. Desde então, o grupo se consolidou como um espaço plural de articulação, reunindo especialistas e moradores em torno de discussões sobre desenvolvimento urbano, preservação e uso do território.

Ao longo desse período, o movimento promoveu debates públicos, participou de audiências, elaborou dossiês técnicos e buscou interlocução com órgãos institucionais. Entre os resultados mais recentes está a abertura de um processo de estudo para o tombamento estadual de parte do complexo, reconhecendo sua relevância histórica, cultural e paisagística.

A proposta do agora coletivo instituído vai além da preservação de edificações isoladas. Engloba a história, a cultura e outros valores do legado piracicabano. “Queremos trazer os cidadãos para participar de todos os processos de construção dessa cidade”, explicou a arquiteta e urbanista Fátima Cristina Scarpari, empossada presidente do Coletivo Beira-Rio. “A ideia é chamar artistas e produtores culturais para pensarmos juntos que cidade queremos, que indústria queremos e que tipo de desenvolvimento queremos. Desejamos que a cidade respire vida e seja sustentável.”

A atuação baseia-se em uma leitura integrada da paisagem urbana. Isso inclui aspectos considerados fundamentais para a identidade do município: além da Boyes, o Engenho Central, a Rua do Porto, o Rio Piracicaba “e a massa de vegetação que ainda percorre sua orla, protegendo-o e proporcionando conforto natural a quem o visita”, destacou a também arquiteta e urbanista Bartira Mendes, porta-voz do coletivo.

Com a formalização, o Coletivo Beira-Rio passa a atuar como associação civil sem fins lucrativos. Entre os objetivos estão a defesa do patrimônio histórico, cultural e ambiental; a promoção do uso público e sustentável dos espaços urbanos; a produção de conhecimento técnico; e o incentivo à participação social nas decisões sobre a cidade.

Em defesa do prédio da antiga Fábrica da Boyes, Fátima lembrou do Engenho Central: “É um polo cultural, turístico e esportivo, além de extremamente inovador. Movimenta toda a cultura da cidade. Então, por que não pensar o mesmo para o prédio na outra margem do rio, de igual potencial?”.

A presidente do Coletivo Beira-Rio ainda apontou um diferencial da Boyes em relação ao Engenho: “Estamos de frente para o salto do rio, que é o ponto mais bonito da cidade. Por que, então, cravar blocos de concreto, tirando toda a vista desse local? Trata-se de uma desconstrução, uma destruição da potência que a cidade tem”, disse, referindo-se à possibilidade de o local dar lugar a um empreendimento particular.

O ex-prefeito de Piracicaba José Machado esteve presente na assembleia. Em sua fala, demonstrou apoio ao coletivo e frisou a necessidade de proteção da história e da cultura da cidade. “A preservação é sinal de progresso, não de atraso. O passado faz parte da história. Temos algo fantástico e não podemos permitir que esse aventureirismo acabe com isso em nome de um ‘progresso’ que nada traz para as atuais e futuras gerações”, pontuou.

A assembleia foi aberta ao público e definiu os primeiros encaminhamentos institucionais do coletivo, incluindo sua estrutura organizacional e as diretrizes iniciais de atuação.

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