Mente & Foco – 47ª edição
Título: Nem toda fase é de florescer, algumas são de soltar.
Hoje o outono chega.
E, com ele, a natureza começa a nos ensinar algo que, muitas vezes, resistimos em aprender: nem tudo floresce o tempo todo e tudo bem. As folhas caem, os dias mudam de ritmo, o vento sopra diferente. Há um convite silencioso para desacelerar, recolher e reorganizar.
E talvez a grande pergunta seja: como você tem vivido as suas próprias estações internas? Porque assim como a natureza, nós também não somos lineares.
Existem dias de primavera, em que tudo parece leve, possível e cheio de cor, dias de verão, intensos, produtivos, cheios de energia e movimento e dias de inverno, silenciosos, introspectivos, onde o recolhimento é necessário.
E, claro, dias de outono. Dias de soltar.
O outono emocional fala sobre aquilo que já não faz mais sentido carregar. Sobre ciclos que se encerram, versões que precisam ser deixadas para trás, expectativas que já não cabem mais na vida que está sendo construída, mas soltar, para muitos, ainda é confundido com perder, e não é, soltar é abrir espaço.
É confiar que, mesmo sem folhas, a árvore continua viva. É entender que a pausa também é parte do crescimento.
Na clínica, vejo com frequência o quanto as pessoas se cobram por estarem em estações mais silenciosas, como se estivessem atrasadas ou fazendo algo errado, mas não há erro em estar em um tempo de reorganização interna. Existe sabedoria. Porque quem não respeita o próprio inverno, não sustenta a primavera. Quem não aceita o outono, vive sobrecarregado de excessos emocionais.
Talvez hoje seja um bom dia para se perguntar: o que, na minha vida, já poderia ser deixado cair como folhas secas?
Pensamentos que já não ajudam, relações que já não nutrem, culpa que já perdeu o sentido e cobranças que não são mais necessárias.
O outono não é sobre fim. É sobre preparo. É sobre confiar que há beleza também no que se transforma, mesmo quando ainda não floresceu de novo.
Respeitar suas estações é um dos maiores atos de cuidado emocional. Porque, no tempo certo, tudo volta a florescer. Mas antes… é preciso permitir-se soltar.
Giovana Mendes
Psicóloga | CRP 06/213988
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Transtornos Alimentares
Rua Dr. Alvim, 825 – São Dimas
Base – Espaço de bem-estar e saúde
