Há um tempo certo para cada coisa
Ivana Maria França de Negri
Segundo o Eclesiastes, um dos livros da bíblia, (3,1-8) “tudo tem o seu tempo determinado e há um tempo exato para cada propósito debaixo do céu”. E isso é Lei, é Justiça, é o tempo de Deus.
Há o tempo de sonhar e o tempo de realizar. Tempo de adoecer e tempo de curar-se. Há o tempo de aprender e o tempo de ensinar. Tempo de guardar e tempo de jogar fora. Há o tempo de trabalhar e o de descansar. E os ciclos vão se alternando na mais completa harmonia.
Há um tempo certo para tudo, para plantar e para colher. E tudo o que semeamos, sejam coisas boas ou más, na exata medida em que plantamos, as receberemos de volta na época da colheita. Muitos acham que podem passar por cima dessa regra universal e cometem atos tresloucados pensando em obter a felicidade, o poder, a riqueza, mas acabam tendo que amargar as consequências por suas ações impensadas. E isso se chama Justiça.
Gostaríamos de parar o tempo nos bons momentos, eternizá-los. Os ruins, gostaríamos de esquecer, apagar, ou fingir que nem existiram. Talvez seja um mecanismo de defesa para não sofrermos, mas o tempo, indiferente a tudo, não pára nos bons e nem nos maus momentos, insiste em seguir seu cronômetro infalível e inexorável.
Pessoas muito vaidosas recorrem a cirurgias plásticas, botox, drenagens linfáticas e conseguem apenas atenuar os efeitos do tempo em seus corpos, mas não conseguem deter o natural envelhecimento de todo o mecanismo estrutural que vai se deteriorando para que se cumpram as leis imutáveis que regem o universo, pois há o tempo da juventude e o tempo da velhice. O tempo em que explode a beleza e a energia, e o tempo das rugas e do cansaço.
Há o tempo de falar e o tempo de calar. Há o tempo de desfolhar e o tempo de florir. O tempo da guerra e o tempo da paz.
Quando ocorre a mudança no calendário que separa um ano de outro, é sempre salutar remexer as gavetas da alma e jogar fora o que foi ruim e não ficar remoendo, se martirizando e guardando mágoas. Isso pode gerar doenças físicas e marcas indeléveis na alma.
O tempo pode escravizar ou libertar. Há o tempo da paixão e o tempo da solidão. Há o tempo de estudar e há o tempo de pôr em prática os ensinamentos. Há o tempo da união e o da separação, e o tempo de se casar e o de enviuvar. E há o tempo de sermos filhos e o de sermos pais.
Há o tempo de sorrir e o tempo de chorar. Tempo de muita labuta e tempo de se aposentar. Há o tempo de sol e o tempo de chuva. Há o tempo de pecar e o tempo de redimir-se. Há o tempo de questionar e o tempo de aceitar. Há o tempo de armazenar e o tempo para distribuir. Há o tempo de amealhar e o tempo de destralhar.
Há o tempo de edificar e o tempo de destruir. Há o tempo das intempéries e o tempo da calmaria.
Há o tempo da guerra e o tempo da paz. Tempo de nascer e tempo de morrer.
Existe um tempo certo para cada coisa sob o sol. E confiar no tempo é uma forma de exercício de fé e sabedoria, pois há o tempo de julgar e o tempo de ser julgado.
Mas sempre é tempo de amar, de ter sonhos e de acalentar esperanças.
Ivana Maria França de Negri é escritora