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Coluna: Entre Linhas com Ivana Negri

Publicada em: 15/01/2026 09:45 -

“Carpe Diem”

Ivana Maria França de Negri

 

Esta expressão, que tem origem no latim, quer dizer mais ou menos isto: “colha o dia”.  Diz Rubem Alves: “É como se a vida fosse um fruto maduro para ser degustado, pois no dia seguinte estará podre”.

Se o passado não existe, pois já se foi, e o futuro é uma incógnita, porque ainda não chegou, então, o melhor mesmo é aproveitar o presente, que é a única realidade que temos, o aqui, o agora, o imediato, o palpável.

Não se pode economizar a vida para gastá-la amanhã porque o amanhã pode não chegar. O tempo, esse ingrato, está sempre fugindo de nós, nunca se chega ao futuro, ele  está sempre mais à frente. E, nessa ilusão, muitos passam a maior parte da vida poupando para ter no futuro e se esquecem de viver o presente. Um dia caem na real e lamentam o tempo desperdiçado, não aproveitado, e que não volta mais...

Economizamos conversas com pessoas queridas, pois não temos tempo, poupamos sorrisos, agrados e elogios que nada nos custariam. Deixamos para amanhã a reunião com amigos, o passeio com filhos pequenos ou netos, a viagem tão aguardada, o projeto do livro, vamos postergando os sonhos, investindo num futuro que nem sabemos se chegará. As crianças crescem depressa, os amigos se vão e as oportunidades são abortadas.

Há que se viver o presente, como se fosse mesmo um presente. Um presente de Deus, mais um dia para aproveitar da melhor maneira possível.

Num dos lindos poemas de Dirceu oferecidos do exílio à sua amada Marília, Tomás Antonio Gonzaga dizia: “Que havemos de esperar, Marília bela?/ que vão passando os florescentes dias? /As glórias que vêm tarde já vêm frias,/ e pode, enfim, mudar-se a nossa estrela./ Ah! não, minha Marília,/ aproveite o tempo,/ antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças,/ e ao semblante a graça!”.

O professor Keating, personagem de Robin Williams no filme A Sociedade dos Poetas Mortos, diz em certa cena antológica: “- Carpe, carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas."

            A icônica fala entre Alice e o Coelho Branco mostra que a percepção do tempo é subjetiva quando ela pergunta: "Quanto tempo dura o eterno?"... E o Coelho Branco responde: "Às vezes, apenas um segundo"!

No livro O Pequeno Príncipe, em um dos diálogos, a raposa diz: É o tempo que você dedicou à sua rosa que a tornou tão importante.

Não desperdicemos as horas com coisas inúteis. Cada minuto é precioso e único.

Na antiguidade o sol era o único relógio para contagemn do tempo. Era só observar sua sombra em relação ao horizonte. Mais tarde, o trabalho de cronometrar o tempo foi delegado às ampulhetas, conhecidas como relógios de areia. Cada grãozinho, uma fração de tempo, até que Galileu associou o princípio do pêndulo aos relógios, e os minutos e segundos começaram a ser contados. E o tic-tac começou a orquestrar o tempo da humanidade tornando-nos escravos das horas.

Não importa como se conte a passagem do tempo. Ele voa... Dizem até que  nem existe! O tempo não passa, é estático, nós é que passamos. Sêneca propagou:Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida”.

Filosofias e sofismas à parte, conclui-se que a vida é o que acontece agora. O resto é ilusão.

 

Ivana Maria França de Negri é escritora

 

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