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Coluna: Entre Linhas com Ivana Negri

Publicada em: 01/01/2026 11:20 -

                               Resoluções de Ano-Novo

Ivana Maria França de Negri

 

E mais um ano se passou! Sinto uma saudade inexplicável do que não aconteceu... Da música que não ouvi, da poesia que não compus, do livro que não li, dos quadros que não pintei, dos instrumentos que não toquei, dos caminhos que não percorri, das flores que não enviei, das pessoas que não conheci, das estrelas que não vislumbrei, dos luares e pores de sol que não presenciei, das areias que não pisei.

Sinto remorso por todas as coisas boas que não fiz, pelo precioso tempo desperdiçado, por falta de horário, por preguiça, ou simplesmente por ter deixado tudo para depois, quando então, já era tarde demais...

Arrependo-me dos carinhos que neguei, dos beijos que não dei, da atenção que não prestei, das visitas que não fiz, dos sonhos que não tornei reais, das portas que não abri, das mãos que não apertei, dos sorrisos que não distribuí, dos elogios que não teci e das palavras que não falei ou de quando não me calei. Quando deveria falar, emudeci, e quando era para me manter calada, disse coisas que não devia...

Sinto imensamente pelas árvores que não plantei, pelas orações que não rezei e pelas horas em que vadiei ou vacilei. Pelos animais que não afaguei e pelos que não socorri, pelas pessoas que necessitaram de minha atenção e eu neguei, pela fé que não tive coragem de professar, pelas oportunidades que desperdicei, pelas mudanças que não operei, pelos ressentimentos que não apaguei e pelas mágoas que inutilmente guardei.

Pelo grito que não dei e ficou entalado na garganta. Pelas viagens que não pude fazer, pelos lugares que não conheci, pelas festas nas quais não compareci por preguiça, pelos amigos que deixei de fazer e pelos prazeres que adiei.

E também pelos sorvetes que não tomei temendo um resfriado e pelos chocolates que não comi com receio de encarar os ponteiros da balança depois. Pelos dias em que fiquei em casa com medo de tomar chuva, enfim, pelas pequenas bobagens que não fiz e que tornam a vida bem mais interessante.

Contudo, o que passou já não conta e o que tenho agora é a página em branco do amanhã para recomeçar tudo no novo ano. Obrigada meu Deus, porque sempre nos dais novas chances. Depois de cada tempestade, vem o presente da calmaria, depois de cada noite escura, nasce um novo e claro dia, depois da lágrima, surge um sorriso, mesmo que tímido e ainda salgado.

 Pretendo errar menos e amar mais. Apagar as mágoas e cultivar somente os bons sentimentos. Perdoar ao invés de recriminar. Separar o joio do trigo. Ser menos carente e não cobrar atitudes dos outros. Doar sem esperar nada em troca. Quando não se espera retorno, não nos decepcionamos nunca. E o pouco que vier será sempre uma grata surpresa.

           Estou pronta para trocar a amargura pela ternura, a preguiça pela labuta, e a transformar a dor em lição, em aprendizado.  O sofrimento lapida a alma, transformando-a num brilhante. Não podemos ficar o tempo todo nos lamuriando, blasfemando contra tudo e contra todos, pois cada fato que acontece é extremamente benéfico, mesmo que no momento nos pareça ser uma expiação medonha. Não devemos colocar a culpa dos nossos males nos outros. A cada um segundo suas obras, não é mesmo?

Que assim seja, Deus olhe por nós, os anjos nos guiem, e que venha 2026!!!

 

                     Ivana Maria França de Negri  é escritora

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